I SEMINÁRIO | MULHERES COM HISTÓRIA E O 25 DE ABRIL DE 1974

9 Mai 2024 - 09:00 | 10 Mai 2024 - 17:00

Auditório 1

A Revolução de 25 de Abril faz 50 anos e para comemorar a queda da ditadura fascista do Estado Novo, convidamos a comunidade científica e não científica a enviarem propostas de intervenções a fim de valorizar as investigações que se debruçaram sobre a questão das mulheres na Revolução portuguesa.

 

Call for papers

 

Diversas organizações feministas desempenharam um papel significativo na ampliação do debate sobre a condição da mulher portuguesa e na preservação da memória feminina. Entre essas organizações destacam-se o Movimento Democrático das Mulheres (MDM), o Movimento de Libertação das Mulheres (MLM) e a União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR). Além disso, a criação contemporânea de revistas científicas cujo objetivo central é o estudo da história das mulheres, como é o caso da Revista Faces de Eva e da ex aequo, ilustra como esse impulso em relação sobre o devir da relação entre as mulheres e a sociedade deve ser reestruturado e continuamente fortalecido. Entretanto, a historiografia relativa ao período revolucionário (tanto no âmbito institucional quanto no sociocultural), ainda favorece uma “política de exclusão e silenciamento” das mulheres (Stevens, 2010).

Posto isto, é fundamental salientar que atualmente testemunhamos novos esforços, sobretudo por parte de investigadoras mulheres, para compreender o período do 25 de Abril de 1974 enquanto um espaço de disputas e contradições, onde elas desempenharam papéis estratégicos na condução desse processo revolucionário. Além dessa perspectiva historiográfica, é relevante destacar o papel da comunicação social como “uma peça importante nas lutas políticas e nas transformações que então se operam” (Rezola & Gomes, 2014). Seja por meio dos jornais ligados a grupos políticos, dos periódicos diários ou das controvérsias que envolveram rádio e televisão durante as disputas entre militares, partidos e organizações populares, esses tópicos são fundamentais como fontes para compreender esse passado revolucionário.

Com o intuito de ultrapassar o fato que as mulheres são submetidas a um “oceano de silêncio”, buscamos contribuições que visem promover um debate público sobre o papel histórico das mulheres, considerando uma abordagem interseccional que leve em conta, principalmente, classe, género e raça. Embora tenhamos um interesse particular nas áreas de cultura, costumes, política e relações sociais, estamos abertas a outras perspetivas que priorizem a mulher enquanto objeto ativo e central de investigação.

 

 

Comissão Organizadora:
Ana Barradas (Jornalista)
Ana Catarina Maia (FCSH-UNL)
Livia Cassemiro Sampaio (UAL)
Pâmela Peres Cabreira (NOVA/FCSH/IHC)
Teresa Melo (FCSH-UNL)

 

Comissão Científica:
Bruno Reis (UAL)
Joana Craveiro (NOVA/FCSH/IHC)
Livia Cassemiro Sampaio (UAL)
Manuela Tavares (CIEG/UMAR)
Maria do Carmo Piçarra (UAL- NOVA/FCSH/ICNOVA)
Maria José Magalhães (FPCEUP)
Pâmela Peres Cabreira (NOVA/FCSH/IHC)
Raquel Varela (NOVA/FCSH)
Virgínia Ferreira (FEUC/CES)

 

Referências Bibliográficas:

  • Abadia, D. M. (2010). O Jornal Combate e as lutas sociais autonomistas em Portugal durante a Revolução dos Cravos (1974-1978) [Master’s thesis, Universidade Federal de Goiás]. https://repositorio.bc.ufg.br/tede/items/67893fba-7f37-44ed-b423-1944d753cca5
  • Accornero, G. (2013). A mobilização estudantil no processo de radicalização política durante o Marcelismo. Análise Social, nº 208, XLVIII (3º), 572-591.Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa
  • Almeida, A. N., & Wall, K. (2001). Família e quotidiano: movimentos e sinais de mudança. In J.M.B. de Brito (Coord.), O País em Revolução (vol. II, pp. 277 – 307). Editorial Notícias
  • Cabreira, P. P. (2020). A autogestão das trabalhadoras da Sogantal durante o período revolucionário português: uma análise segundo o jornal Combate (1974-1975). In. A. S. Ferreira, & J. Madeira (Eds.) As esquerdas radicais ibéricas entre a ditadura e a democracia: percursos cruzados. Edições Colibri
  • Costa, M. F. V. V.. (1975). O Cravo. Morais Editores
  • Ferreira, V. (2010). A Igualdade de Mulheres e Homens no Trabalho e no Emprego em Portugal: Políticas e Circunstâncias. Editorial do Ministério da Educação
  • Gomes, M. (2019). O lado feminino da Revolução dos Cravos. Storia e Futuro, Rivista di Storia e Storiografia Contemporanea online, 51.  https://storiaefuturo.eu/lado-feminino-revolucao-dos-cravos/
  • Kergoat, D. (2018). Lutar, dizem elas….SOS Corpo
  • Mascarenhas, J. M. (1999). Abril Mulher. Câmara Municipal, Biblioteca Museu República e Resistência
  • Oliveira, L.T. (2004). Estudantes e Povo na Revolução. O serviço Cívico Estudantil (1974-1977). Celta
  • Patriarca, F. (1982). Taylor no Purgatório: O trabalho operário na metalomecânica pesada. Análise Social, vol. XVIII (71), 1982-2º, 435–530. http://analisesocial.ics.ul.pt/documentos/1223399927E6cPB5rt7Oi38ZK6.pdf
  • Perrot, M. (2005). As mulheres ou os silêncios da história. Edusc
  • Rezola, M.I. (2007). 25 de Abril, Mitos de uma Revolução. A Esfera dos Livros
  • Rezola, M.I. & Gomes, P.M. (2014). A Revolução nos Média. Tinta da China
  • Stevens, C. (2010). Gênero e feminismos: convergências (in)disciplinares. Ex Libris
  • Strippoli, G. (2022). Women’s Transnational Activism against Portugal’s Colonial Wars. International Review of Social History, 67(S30), 209-236. doi:10.1017/S0020859022000037
  • Tavares, M. (2000). Movimento de Mulheres em Portugal. Décadas de 70 e 80. Livros Horizonte
  • Tavares, M. (2021). A participação das mulheres no 25 de abril de 1974 no Pragal. Edição UMAR
  • Varela, R. (2014). História do Povo na Revolução Portuguesa 1974-1975. Bertrand Editora