CONFERÊNCIA | A HIDRODIPLOMACIA E A GESTÃO DE RECURSOS HÍDRICOS: UMA ANÁLISE COMPARATIVA E AS PERSPETIVAS DE COOPERAÇÃO TRANSFRONTEIRIÇA NA PAN-AMAZÔNIA (BRASIL–COLÔMBIA)

7 Jan 2026 - 11:00

Auditorium 1

Nesta sessão, serão apresentadas as diretrizes de uma investigação, ora em curso, que procura estruturar as bases e fundamentos para uma análise comparativa internacional de modelos de gestão hídrica sustentável. O estudo parte da necessidade de soluções para o estresse hídrico verificado nas Bacias Hidrográficas dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (Bacias PCJ – Brasil), utilizando uma abordagem de benchmarking com as experiências de Lisboa (Portugal) e, estrategicamente, de Bogotá (Colômbia). Para o estudante de Relações Internacionais, o caso de Bogotá transcende a gestão local, ilustrando o potencial da Cooperação Sul-Sul e a governança de recursos em países que compartilham a complexa realidade da Bacia Amazônica.

A análise situa a gestão da água não apenas como um desafio técnico, mas como um vetor geopolítico de integração regional. Destaca-se a fronteira Brasil-Colômbia (1.644 km), onde a gestão de bacias transfronteiriças — como as dos rios Içá (Putumayo), Japurá (Caquetá) e Negro — exige mecanismos diplomáticos robustos para garantir a sustentabilidade e evitar conflitos, em alinhamento com o Tratado de Cooperação Amazônica (TCA). O estudo deverá expandir, futuramente, o debate para os demais países da região amazônica (como Peru, Venezuela e Bolívia), onde a interdependência hídrica demanda uma governança multilateral que harmonize o crescimento populacional urbano e a preservação ambiental.

A metodologia inclui a revisão de literatura e visitas técnicas, focando em como as práticas de gestão participativa colombianas e as tecnologias de reuso portuguesas podem ser adaptadas via cooperação técnica internacional. O objetivo é demonstrar como a transferência de conhecimento e as boas práticas (ODS 6 e ODS 17) fortalecem a segurança hídrica e a resiliência climática. Sugere-se fortemente que a gestão eficiente das Bacias PCJ, inspirada nestes modelos internacionais, reflete a importância da “paradiplomacia” e da atuação de atores subnacionais na construção de um futuro hídrico sustentável na América do Sul.

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